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sexta-feira, 28 de março de 2008

BuLeRIaS


"Las bulerías, cante con picardía de tangos y humos de soleares, que recuerdan al ya desaparecido jaleo. Admiten en su seno y meten en su son todos los cantares, por regionales que sean o por ultrapirenáicos que parezcan, asemejan un formidable embudo de enorme campana, que recibe todas las dádivas musicales que quieran arrojar a su voracidad, y que las deja ir, hiladas y luminosas, acompasadas y borrachas de alegría. La pajolera gracia gitana las rocía de sal y pimienta y les acomoda sus jipíos y floreos con la peculiar e innata maestría característica de los cantes de esta raza. Las más absurdas estrofas, las musiquillas mas aisladas de las posibilidades flamencas, se ciñen al ritmo y al son, por las buenas o por las malas, que de todo hay" (José Carlos de Luna).

Etimologia da palavra:

  1. Bulleria”, termo proveniente de “bulla” que quer dizer gritaria, animação, bagunça, e jaleo.
  2. Burlería”, vocábulo castellano que sofreu deformação gitana e que, por sua vez, é proveniente de “burla” que quer dizer chacota, zombaria.
Quando levamos em consideração o caráter do cante e do baile por Bulerías em si mesmo, os dois étimos parecem colidir-se num ponto comum. Ou seja, a comunhão destes signos dá ainda mais propriedade ao caráter bulicioso deste cante para bailar que é marcado por um ritmo rápido, vivo e que admite, melhor que qualquer outro estilo flamenco, gritos de alegria, expressivas vozes de “jaleo” e arranjo redobrado de palmas. Assim, a amplitude máxima do impulso de improvisação é alcançada no baile, que é marcado por movimentos convulsivos e e torsões realizados com graça e “aire” seguindo o compás.

A gama de estilos da Bulería é incontrolável, mas suas principais vertentes são: Bulerías "festeras" (próprias para bailar) e Bulerías "al golpe" (próprias para cantar), cuja modalidade mais definida é chamada (comumente) de “Bulerías por Soleá”.

É um estilo em constante ebulição e evolução. Existem muitas teorias que explicam a origem dos cantes por Bulerías, mas os grandes teóricos flamencos parecem concordar que a Bulería é herdeira direta da Soleá e que apareceu no coração do bairro de Santiago (em Jerez) tomando a medida da Soleá e aligeirando seu compás, configurando um estilo gracioso baseado na necessidade de acompanhar bailes mais “intuitivos”. É um baile espontâneo, irônico, eufórico e "festero" que acomoda arbitrariamente melodias de Soleá ou Soleariya, alargando ou cortando seus tempos, alterando seus acentos, jogando e brincando com o ritmo. Por esse motivo, as Bulerías gitanas seguiram com o nome “jaleo”, “jaleíllo” ou “jaleo por bulerías”.

As Bulerías estão no auge há alguns anos pois permitem a incorporação de uma gama infinita de outros cantes, transformando-os em sua própria substância e conteúdo. Atualmente, há uma tendência a “meter” por Bulerías letras de canções e coplas que não são, originariamente, flamencas.

"Es cosa definitiva: para llegar al hondón buleril hay que recorrer un camino harto complicado. Quizá sea el único cante que necesita para su entera comprensión un tránsito completo a !o largo del resto del repertorio flamenco. Se llega a las bulerías con exquisitez terminal, como resultante de un proceso decantador y enciclopédico. Quien haya herido su sensibilidad con las honduras del martinete, las siguiriyas y las soleares, quien haya podido salir airoso del bosque fandangueril, quien tenga noción exacta de las expresiones levantinas, quien posea la virtud de recibir el ángel de los cantes gaditanos, ese estará en situación propicia para la aprehensión cabal del cante por bulerías. Las bulerías son un máximo crescendo de depuración y capacidad receptiva. Es el cante que, con trampas de facilidad, resulta ser uno de los mas difíciles... Las bulerías son una especie de órgano regulador de las características más sobresalientes y flamencas de los cantes grandes, intermedios y chicos. Así se explica que no es fácil definir sus peculiares y múltiples matices, las bulerías dan el alma esencial a la fiesta flamenca, porque entran en las mejores complicaciones del ritmo de la gracia, y porque le dan al cante, al baile y al jaleo su máxima carga de ángel. No es, en suma, un cante superfino ni a la mano de todos" (Anselmo González Climent).

A Bulería incita e seduz pela vertigem da coragem e da furia.

Glossário:

  1. Cante: Conjunto de composições musicais em diferentes estilos que surgiram entre o último terço do séc. XVIII e a primeira metade do séc.XIX, devido a justaposição de modos musicais e foclóricos existentes na Andaluzia.
  2. Baile: É a dança propriamente dita. Apresenta um caráter vivo e encontra-se em constante evolução, mas suas características básicas cristalizaram-se entre 1869 e 1929, a chamada idade do ouro do flamenco.
  3. Jaleo (do verbo jalear): Ato de acompanhar e animar o baile, o cante e a guitarra com palmas e exclamações.
  4. Aire: Termo que descreve a expressividade, a atmosfera ou caráter geral de uma performance flamenca.
  5. Compás: Medida de uma frase musical com sua acentuação correspondente.
  6. Soleá: Cante e baile flamencos de compasso misto que possui muitas variantes.
  7. Gitano(a): Adj. ou Subst. que faz referência ao povo nômade que chegou a Península Ibérica por volta do século XV.
  8. Copla: Forma poética tradicional do cante flamenco. (1) Canção popular. (2) Estrofe geralmente de quatro versos octossílabos com rima assonante nos pares.

Referências de Vídeo:


Mercedes Ruiz, bailaora, por Bulerías.


Programa Especial, Dança Flamenca com Cíntia Ruela
(bailaora brasileira)


Antonio Canales, bailaor, bulerías


Flamenco em Jerez. Olé!

Referências na Internet:

- Flamenco World (Bulerías)
- Horizonte Flamenco (Bulerías - I)
- Horizonte Flamenco (Bulerías - II)
- Triste y Azul (Bulerías)

Referências no acervo do Tirititrán:

- Audio: MATCD006, MATCD007, MATCD008, MATMP3002, MATMP3003, MATMP3004.
- Leitura: MATLIV001, MATAPO001, MATAPO002.
- Vídeo: MATDVD055.

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

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