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quinta-feira, 27 de março de 2008

TaNGoS


Ay, no me pegue bocaíto
Que tú me haces cardenales
Cuando tu llega a tu casa
Que tú se lo dice a tu "pare"

Etimologia da palavra:
  1. De “tang” (onomat.), ruído ressonante de tambor ou outro instrumento percussivo. Onomatoméia simbólica de “tambalear” (cambalear, oscilar, desequilibrar).

Cante flamenco a compás, próprio para baile, que apresenta distintas variantes. Em sua gênese, é possível que conste uma possível influência americana, fruto do contato com as músicas e estilos de além-mar. No entanto, alguns historiadores consideram essa hipótese arbitrária e preferem admitir a concepção dos Tangos pautada na origem gitana. Molina e Mairena não têm dúvida de que os Tangos são um cante gitano primitivo como a Soleá ou a Siguiriya. Estima-se que os Tangos constituem um dos pilares do cante flamenco por representantarem a cristalização de toda uma tradição “festera” com uma forma bem definida e dominante.

Os Tangos, tradicionalmente apresentam-se em estrofes de 3 ou 4 versos e a medida mais freqüente desses versos é octosílaba (8 sílabas). Atualmente, alguns intérpretes costumam promover a adaptação de poesías ou de letras de outros cantes por Tangos fugindo a essa regra. Seu compasso é de 4/4. Destes 4 tempos, o primeiro é um silêncio e os tempos 2, 3 e 4 são marcados. Para marcar o silêncio, fazemos soar no solo um golpe com o pé.

Seu ritmo vivo e alegre e seu compás marcado permitem que o baile seja interpretado com movimentos de grande brilhantismo e expressividade. A Guitarra acompanha o cante marcando o compás e intercalando falsetas nos momentos em que o(a) cantaor(a) se cala. As palmas também acompanham a harmonia.

As variantes mais significativas dos Tangos são: Tangos de Cádiz, Tangos de Sevilla, Tangos de Jerez e Tangos de Málaga. A diferença entre eles é definida mais pela inspiração pessoal do que pela geografia propriamente dita. As diferenças de interpretação, às vezes, são tão evidentes que dão origem a novas formas.

Temos que levar em consideração essa extraordinária capacidade de adaptação dos Tangos à inspiração e modos pessoais no que diz respeito à sua riquíssima e incessante evolução (processo bem semelhante àquele pelo qual passaram e ainda passam as Bulerías).

Glossário:

  1. A compás: Dizemos que o cante ou o baile está a compás quando a interpretação segue fielmente o ritmo ou cadência do estilo correspondente.
  2. Cante: Conjunto de composições musicais em diferentes estilos que surgiram entre o último terço do séc. XVIII e a primeira metade do séc.XIX, devido a justaposição de modos musicais e foclóricos existentes na Andaluzia.
  3. Gitano(a): Adj. ou Subst. que faz referência ao povo nômade que chegou a Península Ibérica por volta do século XV.
  4. Soleá: Cante e baile flamencos de compasso misto que possui muitas variantes.
  5. Siguiriya: Cante e baile flamencos de compasso misto, com conteúdo trágico e/ou triste, que a princípios levava o nome de Playera.
  6. Compás: Medida de uma frase musical com sua acentuação correspondente.
  7. Falseta: Execução melódica ou "floreo" solista da guitarra que se apresenta antes do cante ou que alimenta os espaços entre as coplas (estrofes) do mesmo.
  8. Cantaor(a): Artista que canta Flamenco.
  9. Bulerías: Cante e baile flamencos de compasso misto e ritmo vivo.
Referências de Vídeo:


Eva Yerbabuena, bailaora, Tangos


Susana Casas, bailaora, Tangos


Pastora Galván, bailaora, Tangos

Referências na Internet:


- Flamenco World (Tangos)
- Horizonte Flamenco (Tangos y Tientos - I)
- Horizonte Flamenco (Tangos y Tientos - II)
- Triste y Azul (Tangos)

Referências no acervo do Tirititrán:

- Audio: MATCD003, MATMP3002, MATMP3003.
- Leitura: MATAPO001, MATAPO002.
- Vídeo: MATDVD049.

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

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