Clique aqui para conhecer um pouco mais sobre a
proposta de trabalho do estúdio Tirititrán.

terça-feira, 29 de abril de 2008

29/04 - DiA InTeRnaCioNaL Da DaNçA

Una poesía puede ser pura danza.
(Eva Yerbabuena)

O Dia Internacional da Dança vem sendo celebrado no dia 29 de abril desde o ano de 1982. A comemoração foi introduzida no calendário pelo Conselho Internacional da Dança (CID), uma organização interna da UNESCO para todos tipos de dança. A data comemora o nascimento de Jean-Georges Noverre (1727-1810), o criador do balé moderno.

El baile es otra cosa.
Que bailen, que bailen y que sientan
(Concha Vargas)

Apesar de a Dança ser parte inerente à cultura humana ao longo de sua história, não é prioridade oficial no mundo. Entre os objetivos do Dia da Dança estão: despertar a atenção para a importância da dança entre o público geral e incentivar governos de todo o mundo no sentido de fornecer um local próprio para dança em todas as unidades de educação, do ensino infantil ao superior.

O prof. Alkis Raftis, então presidente do Conselho Internacional de Dança, disse em seu discurso em 2003 que em mais da metade dos 200 países no mundo, a dança não aparece em textos legais - não há fundos no orçamento do Estado alocados para o apoio a este tipo de arte e não existe educação da dança, tanto na rede privada como na rede pública.

O CID orienta para que os estabelecimentos do setor de educação entrem em contato com o Ministério da Educação com propostas para celebrar este dia em todas escolas pretendendo com isso despertar, em crianças e adultos, o interesse pela arte através da conscientização da importância da dança na vida de todo e qualquer ser humano.

La experiencia no cambia tu baile,
te cambia por dentro.
Y eso se tiene que notar desde fuera.
(Rafaela Carrasco)

Pescado e adaptado do Wikipedia.

Bailando...


Manuela Carrasco


Eva Yerbabuena


Concha Jareño


Cia. de Manuel Liñan, em Camara Negra


Cia. de Jose Porcel, apresentação em Madrid


Miguel Alonso


RuMbA

Etimologia da Palavra:
  1. De “rumb” (onomat.), ruído que vibra e retumba.
  2. Voz expresiva, Alarde, Barulho, Estardalhaço, Baderna, Fuzuê, Multidão.
Embora, ao que tudo indica, não haja suporte histórico para esta teoria, existe a crença de que uma parte da música popular espanhola foi influenciada por algumas músicas folclóricas hispanoamericanas.

A certeza histórica está ligada ao feito daqueles espanhóis que cruzaram o oceano, partindo do Puerto de Cádiz, para as Américas, encontrando na região algumas formas musicais já populares que foram adornadas com um indiscutível aire flamenco e trazidas por eles de volta à Andalucía de modo que se tornaram mais “atrativas”.

Pertencente ao grupo dos Cantes de Ida y Vuelta, a Rumba é alegre, enérgica, provocante e envolvente. Surgiu em Cuba, fruto da mistura de ritmos africanos, ciganos e latinos. Foi popularizada na Espanha através do Teatro e dos Espetáculos de Variedades, onde os intérpretes flamencos lhe conferiram um aire festeiro, semelhante aos Tangos e às Bulerías.

Suas coplas possuem quatro versos, geralmente, hexasílabos (de seis sílabas), com conteúdo “picante” de duplo sentido (herança cubana). A Rumba se acomoda ao compás binário, com ritmo complexo, e com ela podemos traçar uma certa analogia com o Tango flamenco.

Musicalmente falando, dois aspectos caracterizam a rumba: uma forma peculiar de tocar a guitarra que combina o rasgueo com a percussão da mão sobre a caja da guitarra, resultando num reforço de sua base rítmica (mecânica chamada el ventilador) e uma concentração de temas alegres que faz contraste com a expressão de pena e dor habitual na maioria dos cantes flamencos.

Esta variedade flamenca viajante e sensual, que já havia atravessado o Atlântico, viajou posteriormente pela Cataluña onde a comunidade gitana emprestou-lhe novos acentos.

Glossário:
  1. Puerto de Cádiz: Foi na época de César que o Porto de Cádiz adquiriu notoriedade e explendor, exportando carnes/pescados conservados em sal e vinhos para Roma e outras províncias européias e africanas. A história torna-se um tanto obscura entre o século IV e o século XV em que a coroa Espanhola estabeleceria o Primeiro Porto na Bahia de Cádiz, fundando a Cidade de Puerto Real e conferindo-lhe exclusividade mercantil. Foi uma etapa de primazia do comércio africano que tomou o final do século XV e permaneceu em alta durante todo o século XVI. Entretanto com as grandes navegações e o sucesso do descobrimento de um novo continente, as portas foram abertas a um novo comércio: o das províncias de “ultramar”.
  2. Aire: Termo que descreve a expressividade, a atmosfera ou caráter geral de uma performance flamenca.
  3. Andalucía: Compreende a região sul da Espanha. É uma comunidade autônoma formada pelas províncias de Almería, Cádiz, Córdoba, Granada, Huelva, Jaén, Málaga e Sevilla com capital nesta última. A Andalucia é o berço do Flamenco.
  4. Cantes de Ida y Vuelta: Expressão que designa o conjunto de estilos aflamencados procedentes do folclore hispano americano. Também fazem parte deste grupo a Milonga, a Vidalita, a Rumba, a Colombiana e a Guajira. A expressão “Ida y Vuelta” sugiu devido a uma crença antiga de que estes estilos chegaram à America pelos emigrantes espanhóis, na época das grandes navegações. Na America teriam sofrido variações e com o regresso à Espanha ganharam características mais próximas às suas expressões atuais. Hoje, acredita-se que seu surgimento é exclusivamente proveniente do Novo Mundo (América).
  5. Tangos: Cante e baile flamencos com compasso de 4/4, bem marcado e alegre.
  6. Bulerías: Cante e baile flamencos de compasso misto e ritmo vivo.
  7. Copla: Forma poética tradicional do cante flamenco. (1) Canção popular. (2) Estrofe geralmente de quatro versos octossílabos com rima assonante nos pares.
  8. Compás: Medida de uma frase musical com sua acentuação correspondente.
  9. Cataluña: Comunidade autônoma espanhola, situada a nordeste da Península Ibérica que faz fronteira ao norte com a França, à leste com o Mar Mediterrâneo, ao sul com a Comunidade Valenciana e a oeste com Aragón. Esta situação estratética favoreceu a relação intensa com o restante dos países mediterrâneos e com a Europa continental. A Capital da Cataluña é a cidade de Barcelona.
  10. Gitano(a): Adj. ou Subst. que faz referência ao povo nômade que chegou a Península Ibérica por volta do século XV.

Referências de Vídeo:


Trecho do Filme Latcho Drom (de Tony Gatlif),
com Remedios Amaya


Rocio Molina, bailaora, por Rumba


Rocío Molina, ainda... à compás de Rumba! Olé!

Referências na Internet:

- El Candil Flamenco (Cantes de Ida y Vuelta)
- Los Cantes de Ida y Vuelta
- De Rumbas (artigo de Luis Besa)
- Puerto de La Bahía de Cádiz
- Triste y Azul (Rumba)

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

SoLEá PoR BuLeRiAs

Cante de compás misto, de 12 tempos (em que a acentuação ocorre no 3, no 6, no 8, no 10 e no 12) é também conhecida por Bulería por Soleá, Bulería al Golpe ou Bulería para escuchar.

É produto da intensificação do ritmo da Soleá ou da desaceleração do ritmo da Bulería.

A medida de suas letras é exatamente igual à da Soleá e, é também por isso, que sua estrutura é basicamente a mesma. Este cante é um passo intermediário entre a Soleá e a Bulería e responde ao compás de ambas. Apesar de sua evolução, conserva a elegância, a pureza e a condição rítmica da Soleá e sua etapa de transição, seu aperfeiçoamento e sua máxima expressão foi alcançada com intérpretes como La Pompi, El Glória e La Niña de los Peines.

É muito comum que o baile seja introduzido por um cante libre ou por uma soleá grande ao invés dos ayes de preparação do cantaor. Para o baile em si, geralmente são utilizadas letras curtas. Apresenta um caráter sóbrio, menos denso que o da Soleá, com um ar de mistério.

Alguns estudiosos flamencos preferem marcar uma diferença entre Soleá por Bulería e Bulería por Soleá pautada na tonalidade de execução da guitarra. Assim, quando se escuta uma Bulería, na guitarra, à compás de Soleá, a denominação mais apropriada seria Bulería por Soleá ao passo que se a guitarra combina os acordes da Soleá para realizar uma Bulería al Golpe, o nome mais apropriado seria Soleá por Bulería.

No entanto o que é mais importante destacar é a versatilidade dos palos flamencos na adaptação de elementos de outros gêneros e na combinação de parâmetros musicais fundindo-se em gêneros novos.

Glossário:
  1. Cante: Conjunto de composições musicais em diferentes estilos que surgiram entre o último terço do séc. XVIII e a primeira metade do séc.XIX, devido a justaposição de modos musicais e foclóricos existentes na Andalucia.
  2. Compás: Medida de uma frase musical com sua acentuação correspondente.
  3. Soleá (pl. = soleares): Cante e baile flamencos de compasso misto que possui muitas variantes.
  4. Bulería: Cante e baile flamencos de compasso misto e ritmo vivo.
  5. Cante Libre: Forma do cante em que o compás é menos aparente. O(a) Cantaor(a) tem total liberdade de improvisação e o guitarrista, geralmente se presta a fazer um acompanhamento para adornar este momento.
  6. Soleá Grande: A letra de Soleá grande é composta por dois fragmentos cadenciais de 2 versos cada um, sendo assim, 4 tercios. O segundo verso é repetido 2 vezes e o terceiro e o quarto, apenas uma vez, de forma ornamentada. A repetição dos versos fica a critério do(a) cantaor(a). No baile a repetição está sujeita à montagem coreográfica.
  7. Baile: É a dança propriamente dita. Apresenta um caráter vivo e encontra-se em constante evolução, mas suas características básicas cristalizaram-se entre 1869 e 1929, a chamada idade do ouro do flamenco.
  8. Palo: Nome que recebe cada estilo de cante.
Referências de Vídeo:


Sara Baras


Antonio Canales


Gerardo Nuñez


Rosário "La Tremendita"

Referências na Internet:

- Audio: MATMP3002, MATMP3003, MATCD017.
- Leitura: MATLIV001, MATAPO001, MATAPO002.
- Vídeo: MATDVD025, MATDVD052.

Aula do dia 18/10/2008:


Chamada para Primeira Letra
A chamada é uma sequência característica utilizada para chamar a atenção dos músicos, avisando que depois de sua finalização haverá uma seqüencia de baile com características diferentes daquelas interpretadas até o momento. Depois da chamada, o cantaor entra com uma Letra (que é a parte cantada em si mesma).


Chamada (+ compás de espera) e início da Primeira Letra com Remate
O Remate é um "recorte "que fazemos após o primeiro verso da Letra. Este "recorte" determina a ação de arrematar e enfatizar um movimento ou uma combinação de movimentos. É utilizado para dar ênfase à queda do cante, nos momentos em que o cantaor respira e para finalizar uma seqüência de passos. É constituído de diferentes e expressivos movimentos que incluem fortes sons de pés.


Remate e continuação da Primeira Letra
Após o Remate entra o 2º verso da Letra
seguido do 3º e do 4º que se repetem.

Aulas dos dias 01/11 e 08/11/2008:

Esquema de palmas da Salida
A Salida corresponde à entrada do Cante.


Falseta e Cierre
Uma falseta é composta por frases melódicas executadas pelo guitarrista intercalando o cante. Também pode ser utilizada como introdução de um baile ou de seqüência de escobilla.


Cierre da Falseta (só pés)


Cierre da Falseta
Carrega em si a idéia de fechamento, finalização. O cierre conclui uma seqüência de movimentos. É utilizado como sinal de encerramento de uma parte do baile para dar entrada a outra.


Subida
Seqüencia rítmica de pés utilizada para
aumentar ("subir") o andamento do baile.

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

terça-feira, 15 de abril de 2008

SoLEá


Los ojos de mi morena
se parecen a mis males:
negros como mis fatigas,
grandes como mis pesares.


Etimologia da palavra:

São várias as opiniões mas a nenhuma delas é conferida certeza absoluta. Alguns dizem que é uma deformação idiomática da palavra soledad que procede de sol-, solear- ou do latim solor, cujo significado é “aliviar o trabalho com o canto”. De qualquer maneira, podemos considerar a Soleá como o equilíbrio perfeito do cante pois guarda, na sua estrutura musical, grande parte dos elementos que regem a estética musical andaluza.

É um cante primitivo, rítmico por excelência, com compás misto (ou de amálgama) de 12 tempos, considerado uma das bases do cante flamenco. Deste palo derivam-se a Bulería, a Bulería por Soleá, o Polo, a Caña, as Cantiñas, o Romance, a Alboreá e os Jaleos. Por tratar-se de um dos pilares do cante flamenco, é um cante autônomo, ou seja, independente de qualquer outra espécie. Acreditam ser um cante de origem cigana cultivado na intimidade dos lares ciganos da Baixa Andalucia, muito tempo antes de sua primeira aparição, que teria ocorrido em Triana por volta de 1840. As letras de suas coplas respodem a uma temática muito ampla destacando alusões à vida, ao amor e à morte.

Diferencia-se de outros palos pela solenidade na interpretação: o sentimento está sempre em primeiro plano. É o baile em que as marcajes, as figuras e os paseíllos tornam-se mais comuns. É majestoso, rico e profundo, por excelência e se adapta bem às bailaoras devido aos movimentos tipicamente femininos como braceos, ondulações de quadril e cintura.

Alguns flamencólogos acham deplorável o excesso de taconeos na Soleá, apesar de que a escobilla (um dos elementos estruturais da Soleá) consiste num aumento, progressivo da velocidade e complexidade do sapateado na parte central do baile.

Glossário:

  1. Cante: Conjunto de composições musicais em diferentes estilos que surgiram entre o último terço do séc. XVIII e a primeira metade do séc.XIX, devido a justaposição de modos musicais e foclóricos existentes na Andalucia.
  2. Compás: Medida de uma frase musical com sua acentuação correspondente.
  3. Palo: Nome que recebe cada estilo de cante.
  4. Bulería: Cante e baile flamencos de compasso misto e ritmo vivo.
  5. Polo: Cante muito antigo de origem incerta, possivelmente tomado de uma canção para baile praticada na Andalucia no início do século XVIII que apresenta, musicalmente, certa afinidade com a Caña.
  6. Caña: Cante flamenco muito antigo, também de origem incerta. Possivelmente originou-se do estribilho de uma de suas letras primitivas, quando ainda era canção popular em que era citado repetidamente este vocábulo ou talez, do costume antigo de honrar com o cante a garrafa de vinho, que na Andalucia é conhecida como caña.
  7. Cantiñas: Cantes próprios de Cádiz, de compasso misto, entre os quais se destacam: Alegrias, Caracoles, Romeras, Mirabrás e Cantiñas propriamente ditas.
  8. Romance: Cante flamenco comumente chamado de "corrido" ou "corrida" que originou-se de uma entonação especial dos romances populares andaluzes. Tradicionalmente, é interpretado sem acompanhamento, e por isso é considerado por muitos o estilo mais primitivo do flamenco, de onde procederam as Tonás. Existe uma variante dos Romances, criada por Antonio Mairena, que leva o compás de Soleá por Bulerías.
  9. Alboreá: Cante pertencente ao grupo daqueles influenciados pela Soleá comum nos rituais de casamento gitanos. Suas letras mais divulgadas fazem referência à virgindade da noiva.
  10. Jaleos: Chamamos jaleo todo estilo festero acompanhado por palmas e vozes de animação dos jaleadores. De maneira simplória, é a Bulería que se pratica em Extremadura.
  11. Andalucia: Compreende a região sul da Espanha. É uma comunidade autônoma formada pelas províncias de Almería, Cádiz, Córdoba, Granada, Huelva, Jaén, Málaga e Sevilla com capital nesta última. A Andalucia é o berço do Flamenco.
  12. Triana: Importante bairro de Sevilla (maior cidade da Andalucía).
  13. Copla: Forma poética tradicional do cante flamenco. (1) Canção popular. (2) Estrofe geralmente de quatro versos octossílabos com rima assonante nos pares.
  14. Bailaor(a): Artista que baila Flamenco.
  15. Braceo: Movimentos no baile, executados com os braços.
  16. Escobilla: É o solo de piés do bailaor. Como para o cante existem os "ayeos" e para o toque existem as "falsetas", o(a) bailaor(a) demonstra sua técnica na escobilla.
  17. Baile: É a dança propriamente dita. Apresenta um caráter vivo e encontra-se em constante evolução, mas suas características básicas cristalizaram-se entre 1869 e 1929, a chamada idade do ouro do flamenco.
Referências de vídeo:


Fosforito y Juan Habichuela


Farruco


José Mercé


Corral de la Morería

Referências na Internet:


Referências no acervo do Tirititrán:

- Audio: MATMP3002, MATMP3003.
- Leitura: MATLIV001, MATAPO001, MATAPO002.
- Vídeo: MATDVD025, MATDVD049, MATDVD054,

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

BaLLeT NaCioNaL de EsPaÑa no Brasil


O Ballet Nacional de Espanha passa por um novo período de criação, apresentando diferentes projetos sob a direção de José António, em sua segunda etapa à frente da companhia após ser nomeado pelo Ministério da Cultura em 2004. O BNE é de produção do Instituto Nacional das Artes cênicas e da Música (INAEM), uma das unidades de maior projeção internacional como embaixadora da cultura espanhola no mundo. Fundado pela Direção Geral de Teatro e Espetáculos do Ministério da Cultura em 1978, sob o nome de Ballet Nacional Espanhol, teve como primeiro diretor Antonio Gades (1978-1980). Desde então, o BNE foi regido por Antonio (Ruiz Soler) (1980-1983), María de Ávila (1983-1986), José Antonio (1986-1992), Aurora Pons, Nana Lorca e Victoria Eugenia (1993-1997), Aída Gómez (1998-2001) e Elvira Andrés (2001-2004).

Ao longo dos seus 30 anos de historia, a Compania interpretou, nos teatros mais prestigiosos do mundo, obras emblemáticas como “Medea” de José Granero, “Danza y Tronío”, de Mariemma, “Ritmos”, de Alberto Lorca, “Fandango de Soler”, de José Antonio, “El Sombrero de Tres Picos”, nas variações de Antonio e de José Antonio, “El concierto de Aranjuez”, de Pilar López, “Bodas de Sangre” e “Fuenteovejuna”, de Antonio Gades.

Na temporada atual, o BNE apresenta no seu programa as coreografias “La Leyenda”, “Aires de Villa y Corte”, “El Café de Chinitas”, “Golpes de la Vida” e “Elegía-Homenaje” (Homenagem a Antonio Ruiz Soler), criações de José Antonio. Além dessas coreografias, também é apresentado o programa Sevilha-Madrid-Sevilha, composto pelas obras “Caprichos”, de Fernando Romero, “Dualia”, de Rojas e Rodríguez e “Cambalache” de Antonio Canales.

O Ballet Nacional de Espanha tem obtido o reconhecimento internacional da crítica e do público por meio do recebimento de diversos prêmios. Dentre eles, destacam-se o Prêmio da Crítica ao Melhor Espetáculo Estrangeiro (1988), do Metropolitan de Nova Iorque; Prêmio da Crítica Japonesa (1991); Prêmio da Crítica ao Melhor Espetáculo (1994), no Teatro Bellas Artes do México; Prêmio do jornal El País ao espetáculo “Poeta”, em 1990, e os Prêmios da Crítica e do Público à coreografia “Fuenteovejuna”, de Antonio Gades, no VI Festival de Jerez, em 2002.

Referências na Internet:

- Ballet Nacional de España

Datas no Brasil:

- São Paulo: 28 e 29 de abril, Teatro Alfa às 21h.
- Rio de Janeiro: 1o de maio, Theatro Municipal, às 16:30h e às 20:30h.

terça-feira, 8 de abril de 2008

SaNtO y SeÑa - Eva Yerbabuena no Brasil

Lo mejor de la noche es el silencio, porque en él se descubre, o que la luz no tiene la importancia que creemos, o que en la oscuridad la vida es más intensa. Por eso es conveniente muchas veces impedirle a los ojos la mirada, asumir ese reto de sentir, de otorgarle sabor a lo que olemos, tocamos o escuchamos sin saber de su aspecto, su forma o su color. Sólo así damos vida al centinela del reto, aquel que nos hace entender que a través del tiempo vive la creación, a través de la huella del momento sagrado y su transformación en una gran marea en cuya espuma sólo algunos poseen el privilegio de poder descubrir lo que hemos sido, somos o esperamos llegar a ser un día.


O trabalho da companhia de dança Eva Yerbabuena Ballet Flamenco é admirado por artistas do gabarito de Pina Bausch e Carolyn Carlson. Desde a criação de sua companhia Eva Yerbabuena empreende turnês nacionais e mundiais, apresentando-se nos principais palcos do mundo com sua dança flamenca de grande beleza. A projeção de seus trabalhos levou Eva Yerbabuena Ballet Flamenco a conquistar importantes prêmios, tanto na qualidade de bailaora como de coreógrafa. Em seu último trabalho, Santo y Seña, que estará em turné pelo Brasil nos meses de abril e maio, Eva Yerbabuena explora o silêncio da noite, onde se descobre que a luz não tem tanta importância, e que, na obscuridade, a vida é mais intensa.

Santo y Seña reúne as melhores coreografias das cinco montagens realizadas pela bailaora ao lado de um elenco robusto formado por vários bailarinos e músicos. O espetáculo autobiográfico de Eva, será atração em São Paulo (22 e 23 de abril, Teatro Municipal e 12 de maio, Via Funchal), Porto Alegre (29 e 30 de abril, Teatro Do Bourbon Country), Brasília (03 e 04 de maio, Teatro Nacional Claudio Santoro), Rio de Janeiro (05 e 06 de maio, Theatro Municipal), Salvador (08 de maio, Teatro Castro Alves) e Curitiba (10 de maio, Teatro Guaíra). Reconhecida com unanimidade pela crítica como a melhor bailarina flamenca dos últimos tempos, Eva apresenta uma dança de personalidade marcante e vigorosa buscando em cada coreografia uma extrema delicadeza e sentido comum, prendendo a atenção do espectador desde o começo da obra com o fator surpresa.

Referências de Vídeo:


De la Cava, Siguiriya


Espumas del Recuerdo, Mirabrás

Referências na Internet:

- Eva Yerbabuena - Site Oficial
- Via Funchal

Referências no acervo do Tirititrán:

- Vídeo: MATDVD14.

¿DóNDe eSTá eL DueNDdE?

Frederico Garcia Lorca

El duende... ¿Dónde está el duende? Por el arco huero entra un aire mental que sopla con insistencias sobre las cabezas de los muertos, en busca de nuevos paisajes y acentos ignorados; un aire con olor de saliva de niño, de hierba pisada y velo de aguamar que anuncia el constante bautizo de las cosas recién creadas.

A buscar el duende no hay mapa ni ejercicio. Solo se sabe que él quema la sangre como un brebaje de vidrios, que agota, que rechaza todo el dulce geometría aprendida, que rompe los estilos...

La llegada del duende presupone siempre una transformación radical en todas las formas sobre viejos planes, da sensaciones de frescor totalmente inéditas, con una calidad de rosa recién creada, de milagro, que llega a producir un entusiasmo casi religioso...

En toda música árabe, baila, ¡canción o elegía, la llegada del duende es saludada con enérgicos "Alá, Alá!", "¡Dios, Dios!", ¡tan próximos del "Olé!" de los tauros que quizá sea el mismo; y en todos los cantos del sur de España el aparecimiento del duende es seguida por sinceros gritos de "¡Viva Dios!", profundo, humano, tierno grito de una comunicación con Dios por medio de los cinco sentidos, gracias al duende que agita la voz y el cuerpo de la bailarina...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

¿Que És eL DueNDe FLaMeNCo?

Por José Mª Parra, cantaor,
em maio, 2002.

En muchas ocasiones hemos leído u oído decir definiciones acerca de ese sentimiento o emoción interna que los intérpretes flamencos albergan –aunque no con la frecuencia deseada- cuando interpretan el flamenco.

Algunos estudiosos de la teoría flamenca han configurado denominaciones entorno a este fenómeno. Este es el caso de Carlos Almendros que afirmó que el duende es "una fuerza y misterio que adquiere una manifestación artística, cuando ésta capta el espíritu, produciéndose un particular estremecemiento", Anselmo González Climent dijo "es el momento en el que se percibe la pureza escénica que se desea, es estar en trance, en desborde confesional, es el momento de la perfección artística y de la plenitud humana del cantaor y, por ende, del cante flamenco", Domingo Manfredi Cano escribió, "el duende es una situación en la que el cantaor alcanza los límites del trance y transmite a sus oyentes una carga emocional de tal naturaleza que los arrastra al paroxismo, límite con la locura, es cuando los oyentes se rasgan la camisa a tirones y los hombres más enteros, se secan los lagrimones a manotazos", otra definición fue la de Emilio García Gómez que lo llamó situación-límite o situación psíquica que traducida mediante el tárab, palabra árabe, significa entusiasmo, éxtasis, enajenación, para Alicia Mederos el duende "es algo así como escuchar el rumor del mar en una caracola y sentir que todos los océanos caben en ese espacio mágico de viejísimas melodías".

En mi opinión, el duende es un estado de ánimo en el que el intérprete flamenco se siente como si casi no existiera, es un momento en el que la mente se encuentra despojada de ataduras y vacía de contenido, unos instantes en los que uno no tiene nada que ver con lo que ocurre alrededor y en los que simplemente se contempla de forma maravillada y respetuosa todo lo que sucede, es algo que fluye por si mismo.

El duende es un estado de gracia, en el que la excelencia se produce sin el menor esfuerzo, un estado en el que el intérprete está absorbido por el presente y en el que sus emociones están exentas de represión alguna, más al contrario, estas se activan de forma positiva y se alinean con la actividad que se esta llevando a cabo, bien sea cante, toque o baile.

Abundando un poco más en la definición de este fenómeno, se puede decir que, el rasgo característico de esta experiencia extraordinaria es una sensación de alegría espontánea en la que se produce un cierto rapto de nuestro consciente. Son momentos en los que uno se siente tan bien que resulta intrínsecamente recompensable, un estado en el que el artista se absorbe por completo y presta una atención indivisa a lo que está haciendo.

Cuando se alcanza esta situación la atención se focaliza tanto, que la persona pierde la noción del tiempo y del espacio, es un estado de olvido de uno mismo, una forma de estar en la que uno se encuentra tan absorto en la tarea, que desaparece por completo toda consciencia de sí mismo y en el que se abandonan hasta las más pequeñas preocupaciones de la vida cotidiana.

Los momentos del duende son momentos en los que el ego se halla completamente ausente y en los que el rendimiento es extraordinario, aunque paradójicamente, la persona está completamente despreocupada de lo que hace y su única motivación descansa en el mero gusto de hacer lo que se está haciendo ... cantar, tocar o bailar.

Pescado da Revista Amigos de Andalucía.

PoR uM CoRPo mAis CoNSciENtE e CoMUniCaTiVo

Por Manu Ángel
em abril, 2008

A maioria das pessoas desconhece ou atesta conhecer apenas superficialmente os significados de consciência e de expressão corporal. Apesar de os dois caminharem juntos, dizem de duas coisas bastante particulares. Só podemos tomar nosso corpo como instrumento de expressão depois de tomarmos consciência de sua extensão e de sua forma.

Precisamos pensar nessa tal consciência de corpo como um exercício. Um trabalho que deve ser executado com extremo cuidado em prol do conhecimento do próprio corpo (de seus limites e de suas possibilidades). Trata-se da capacidade de percepção e da possibilidade de expressão imediata das experiências vivenciadas por este corpo no espaço que o circunscreve.

Antes de pensar na estrutura do nosso corpo, proponho que imaginemos dentro de nós um ponto a que chamaremos centro de equilíbrio. Devemos pensar em equilíbrio como equivalência de forças antagônicas num sistema de inter-relação dinâmica. Essa dinâmica já é, em si mesma, a possibilidade de movimento.

Nosso centro de equilíbrio é a bacia que está em comunhão com as forças da gravidade e de repulsão do solo. A Bacia apara, recebe, equilibra e redireciona estas forças. Para ela, também, convergimos pesos da cabeça e da coluna, bem como as forças de repulsão do solo. Nossas pernas apóiam nossa bacia ou estão, simplesmente, conectadas a ela. Portanto é à bacia que devemos nos remeter para mais rapidamente encontrar nosso equilíbrio, seja durante o movimento ou, simplesmente, na posição estática.

A bacia não é plana, mas tridimensional, portanto, com expressões em todas as direções do espaço. Descer o mental até a bacia e percebê-la como volume é, portanto, um princípio de base para iniciarmos nossos deslocamentos no espaço.

Estruturalmente, nosso corpo é sustentado por ossos e músculos. Os ossos são ligados uns aos outros por articulações que permitem que o movimento aconteça.. O esqueleto é o trunfo mecânico da Natureza e o movimento é o resultado das condições estabelecidas de acordo com princípios básicos que dirigem um mecanismo dinâmico. As linhas de força atravessam os ossos. Dessa maneira, a sensação de movimento já está presente neles. Os músculos, numa primeira instância, são responsáveis pelo revestimento dos ossos, conferindo a eles a proteção necessária. Esse conjunto todo é ligado ao Sistema Nervoso central que exerce comandos sobre os ossos, articulações e músculos pela ação de seu auxiliar, o Sistema Nervoso Periférico. Esses impulsos nervosos fazem movimentar essa estrutura.

Para certificar-se de sua presença, ou seja, para tornar-se consciente, o corpo precisa do movimento. O movimento é um fator coordenador da nossa estrutura e garante a ela coesão, densidade, tônus e unidade.

A dança pode existir como manifestação artística ou como forma de divertimento e/ou cerimônia. Como arte, a dança se expressa através dos signos de movimento, com ou sem ligação musical para um determinado público que, ao longo do tempo, foi se desvinculando das particularidades do teatro.

A comunicação humana ocorre por meio de diferentes códigos e linguagens. Dentre estes, a gestualidade e a movimentação ampla do corpo desempenham um importante papel em diferentes situações comunicativas, tanto em relações interpessoais como nos processos de comunicação social efetivados pelas diferentes mídias. Sendo assim, a experimentação e a compreensão da arte do movimento por meio da dança pode propiciar as pessoas um maior conhecimento do corpo e de seu potencial comunicativo.

Referências de vídeo:


Exposição "Bodies" de Gunther von Hagens evidencia a estrutura do corpo humano sob a técnica da plastinização.


Exposição de fotos de Ana Olívia Godoy, Desirée Machado e Plutarco H. Resultado de uma pesquisa que tem o corpo humano e a luz como ferramentas de criação. Testemunho da descoberta de inúmeras possibilidades de movimento diante da luz que desenha corpos.


Simone Spoladore em "LavourArcaica", a compás do sangue que lateja em suas veias, num trecho do filme apelidado (apropriadamente?) pelo usuário do YouTube como "Teoria e Prática do Duende".

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

domingo, 6 de abril de 2008

TieNTos

Le pedí sombra a una fuente
y agua le pedí a un olivo;
me ha puesto a mí tu querer
que yo no sé lo que digo.

Etimologia da palavra:

Tientos é uma palavra que origina do latim templar e está ligado à idéia de tentar, pulsar, examinar, ver a reação, provar ou provocar alguém.

Os Tientos constituem uma versão lenta do cante por Tangos e podem ser considerados conseqüência de sua evolução.

Dessa maneira, adota o mesmo compás dos Tangos, embora seja mais lento e solene. Seus tercios são cantados de maneira “alargada”, pois, trata-se de um cante para exibição de faculdades vocais (como a Soleá e a Siguiriya).

Como ocorre com outros cantes, a origem dos Tientos é nebulosa e, por isso, e repleta de versões. É um cante de aparição relativamente recente com origem datada do final do século XIX ao início do século XX. Teve berço provável em Cádiz, onde era conhecido, primeiramente como Tiento-Tango. Sua configuração atual deve-se a Enrique el Mellizo e a Antonio Chacón (considerado o grande propagador do estilo). No entanto, ao contrário dos Tangos, o cante por Tientos evoluiu pouco desde sua criação.

As letras dos Tientos trazem, sempre uma carga dramática e solene, eminentemente lírica, em suas interpretações, ao contrário das letras dos Tangos que admitem qualquer estado de ânimo. O baile é, da mesma maneira, grandilocuente, majestoso, sóbrio e de uma grande matização dramática.

Atualmente, Tientos e Tangos caminham juntos nos recitais. O cante é iniciado por Tientos e, posteriormente, com a acelaração do ritmo acontece o câmbio para Tangos. Das letras sentimentais e comoventes dos Tientos passa-se às letras risonhas e festeiras dos Tangos. De certa maneira, devido ao abuso desta união, os Tientos têm perdido, hoje, parte das suas características principais: riqueza melódica e conteúdo, em contraposição à explosão alegre e festeira dos Tangos.

Glossário:
  1. Cante: Conjunto de composições musicais em diferentes estilos que surgiram entre o último terço do séc. XVIII e a primeira metade do séc.XIX, devido a justaposição de modos musicais e foclóricos existentes na Andaluzia.
  2. Tangos: Cante e baile flamencos de compasso de 4/4, rítmico e alegre.
  3. Compás: Medida de uma frase musical com sua acentuação correspondente.
  4. Tercio: Cada um dos versos que compõem uma copla flamenca.
  5. Soleá: Cante e baile flamencos de compasso misto que possui muitas variantes.
  6. Siguiriya: Cante e baile flamencos de compasso misto, com conteúdo trágico e/ou triste, que a princípios levava o nome de Playera.
  7. Cádiz: Província espanhola da Comunidade Autônoma de Andalucía. Possui 44 municípios e a sua capital é a cidade de Cádiz. Outras cidades de importância na Província são: Jerez de la Frontera (a maior da província) e Algeciras (terceira em número de habitantes).
  8. Baile: É a dança propriamente dita. Apresenta um caráter vivo e encontra-se em constante evolução, mas suas características básicas cristalizaram-se entre 1869 e 1929, a chamada idade do ouro do flamenco.

Referências de vídeo:


La Tobala, Tientos y Tangos


Manuela Rios, bailaora, por Tientos

Referências na internet:

- Flamenco World (Tientos)
- Horizonte Flamenco (Tangos y Tientos - I)
- Horizonte Flamenco (Tangos y Tientos - II)
- Triste y Azul (Tientos)

Referências no acervo do Tirititrán:

- Audio: MATMP3003.
- Leitura: MATLIV001, MATAPO001, MATAPO002.
- Vídeo: MATDVD002, MATDVD004, MATDVD023.

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Sevilha e as letras do Flamenco

Por Paula Andrade
em abril, 2008


A cidade de Sevilha

Plaza de España

A capital da província de Andalucía, Sevilla, possui aproximadamente 700.000 habitantes, e é caracterizada por muitos como o berço do Flamenco. As origens da cidade, datada de mais de dois mil anos, coincidem com a expansão do Império Romano, que conquistou quase toda a península européia. O Império Romano do ocidente desaparece no século V, mas remanescentes do período ainda podem ser encontrados em toda a Espanha, inclusive em Sevilha, como o seu aqueduto ou a ponte romana.

Catedral e Alcázar

Sevilha possui um papel fundamental na história da Espanha, e uma longa história própria de admiração e terror marcada por guerras, inquisição e disputas territoriais. Em 712 a cidade foi conquistada pelos mouros (árabes provenientes da África) que ocuparam a província durante 400 anos até serem definitivamente expulsos. Sua contribuição para o flamenco foi fundamental.

Sevilha e as letras do Flamenco

Sevilla tiene una cosa que solo tiene Sevilla,
luna, sol, flor y mantilla, una risa y una pena
y la Virgen Macarena que también es de Sevilla.

Que también es de Sevilla, aromas de clavellinas,
La giralda y sus campanas,
la Esperanza de Triana que también es de Sevilla.

Que también es de Sevilla y Sevilla por tener,
tiene la gloria en sus manos,
a Jesús del gran poder que también es sevillano.


Torre del Oro

Sevilha pode até não ser o lugar onde o Flamenco nasceu, mas sem dúvida aportou as maiores e mais importantes contribuições para o amadurecimento dessa arte: grandes cantaores, bailaores e tocaores surgiram ali. Isso, somado à história, à cultura e à beleza da cidade, faz com que Sevilha tenha sido e ainda seja objeto de inspiração para as mais diversas artes, e homenageada com freqüência nas letras de canções flamencas.



Plaza de Toros

Alguns símbolos sevillanos recorrentes nas letras do Flamenco

Barrio de Triana - La república independiente:


Barrio de Triana

me gusta su madrugada
cuanto te quiero Sevilla
yo me muero por Sevilla
pero mi vida es Triana.

Algo tiene el río que divide no solamente a la ciudad, sino a sus gentes. Cuando los trianeros han de cruzar el puente dicen: voy a Sevilla... (Antonio Burgos)

Reza a lenda que Sevilha um dia se olhou no rio, e no reflexo viu esse sonho chamado Triana. Tudo o que falta à Sevilha, Triana tem. O eterno bairro cigano, separado do resto da cidade pelo rio Guadalquivir, é, no entanto, muito mais que um simples bairro. É um mundo, ou, como os próprios trianeros dizem, uma república independente.

É verdade que, antigamente, os ciganos viviam em Triana, mas atualmente vivem em outros bairros da cidade. Triana manteve, entretanto, sua identidade. Ainda hoje é o rio, a influência do rio, as formas de vida do rio.

Sinônimo de aire, Triana não é o vento, não é a brisa, não é o ar – é outra coisa. Em Sevilha homenageou-se essa atmosfera mágica, esse espírito inexplicável, dando o nome de “Aire” a uma de suas ruas (Calle del Aire). Em Triana nunca precisaram.

Cuando no van a Triana es como si les faltara algo.
Cuando dejan Triana les falta el aire.


Puente de Isabel II (Puente de Triana):


Puente de Triana

Triana, Triana
Que bonita está Triana
Cuando le ponen al puente
Las banderitas gitanas...


É a mais famosa ponte de Sevilha, que conecta a cidade ao bairro de Triana. Desenhada por Eiffel, a ponte pode muito bem pertencer a Sevilha, mas foi Triana quem se apropriou dela como símbolo e síntese de uma vontade de ser terra de fronteira, afirmando com isso a sua identidade.


Puente de Triana

Rio Guadalquivir:


Rio Guadalquivir

Quien se pudiera dormir
besando las dos orillas
como el río Guadalquivir
besa Triana y Sevilla.

Único rio navegável da Espanha. Costumam dizer que em Sevilha há um espelho que se chama Guadalquivir. Nesse espelho, Triana se olha desde uma margem e Sevilla da outra, ambas procurando os seus respectivos reflexos.

me cuenta mi río que no se divierte
si no ve a la luna mirarlo de frente
si no se reparte entre sus orillas
media pa Sevilla media pa Triana.


Catedral e Giralda:



Catedral e Giralda

Vivir en Sevilla es querer vivir
en cualquier orilla del Guadalquivir.
sentirse alfarero junto a Santa Ana,
sentirse torero junto a la Giralda.


A catedral foi construída durante o século XV, e ainda hoje é uma das maiores do mundo do estilo gótico. La Giralda, a torre onde fica o sino, é cartão postal da cidade, e já foi a mais alta torre do mundo. Em frente à catedral se encontra o Alcázar, palácio mouro que começou a ser construído no século II.



Plaza del Triunfo - Catedral e Giralda

Paula Andrade, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

FaLaNDo sObRe FLaMeNCo

Por Silvia Saraiva, aluna de Flamenco,
em setembro, 2007.



Dizem que "palavras são como vento"... Um dia vi um documentário que mostrava um saco plástico "dançando no vento", flutuando no ar por cerca de um minuto, igualzinho a uma dançarina de flamenco: aquele movimento da saia embalada num redemoinho de vento que ditava um compasso desafiador entre o lento e o absurdamente acelerado. Parecia a natureza dançando.

Fazer o corpo assimilar e "falar" a linguagem do flamenco é um desafio tal qual aprender uma nova língua. Por isso uma turma de iniciantes no flamenco seja realmente tão especial: é quando a mágica acontece pela primeira vez - torta, inconstante, meio sem jeito. As mãos de uma dançarina de flamenco são como a "letra" de uma canção embalada pela "melodia" dos pés. Se nas palavras prefiro temas alegres no flamenco não é diferente: sempre me chama a atenção as danças das crianças, dos casais felizes, das senhorinhas que sapateiam enquanto cantam, o tipo de dança que não é dramática, o tipo de dança que se pode dançar sorrindo.

De uma coisa eu sei: não sou boa desenhista; tampouco sei me expressar em imagens ou arte abstrata. Brincar com as palavras é outra estória. Dizem que "palavras são como vento"... e escrever sobre a dança tem sua graça artística legítima porque desenha uma imagem sobre um sentimento na nossa imaginação, não com pincel, mas com palavras. E tal qual as palavras "dançar é como o vento".

(Pescado do blog da própria Silvia: Mensagem de Texto)

Referências de vídeo:


De Tablao, Cia. de Antonio el Pipa


Matilde Coral, bailando no avião


Trecho do filme "Ibéria", de Carlos Saura


Referências no acervo do Tirititrán:

- Audio: MATCD004, MATCD005, MATCD009, MATCD010, MATCD011, MATCD012.
- Leitura: MATLIV001, MATAPO001, MATAPO002.
- Vídeo: MATDVD001, MATDVD033, MATDVD036, MATDVD051, MATDVD060, MATDVD064, MATDVD065.

terça-feira, 1 de abril de 2008

TRíaDe FlaMeNCa – cante, baile e toque

Por Manu Ángel
em abril, 2008.

É comum nos depararmos a pergunta clássica dos alunos: "no Flamenco, o que surgiu primeiro? Cante, baile ou toque?".

É importante deixar claro que a questão aqui não é eleger favoritos nem definir e estabelecer hierarquia na “tríade flamenca”. Este texto tem menor pretensão: é um convite ao estudo. Quer investigar, buscar, levantar hipóteses, compartilhar e abrir espaço ao diálogo.

De la tierra, esa música viene de la tierra, viene de la contienda,
del asalto. del oscuro atropello de las arterias del planeta.
Viene de la preponderancia del fuego, del confuso lenguaje
de los yacimientos, del desconsuelo de los minerales.
Esa música és cega como las raíces y és terca como las semillas.
Sabe a tierra como la boca de un cadáver. Viene e és de la tierra.
Redobla la geología. Esa música és parda como la corteza,
compacta como los diamantes. No dictamina: solo muestra la voraz
certidumbre de lo vivo. El vértigo que vá desde el sustrato a la
calamidad que grita. Esa música és el agujero que delata en los hombres
su ascendencia . Esa música és todo ese agujero, un sordo abismo que
reclama la primer soledad, lo primer llanto en la primera noche.
(Francisca Aguirre)


Sabemos que diversas circunstâncias históricas e geográficas determinaram o surgimento do Flamenco na região que conhecemos hoje como Andalucía. A invasão e a dominação da Espanha pelos mouros, a queda de Granada, a tomada da cidade pelos reis católicos, a perseguição sistemática de árabes, ciganos e judeus pela Inquisição, a cristianização imposta àqueles que permaneceram na região...

Muito da história das origens do Flamenco foi perdida, devido a estas circunstâncias. Além disso, o Flamenco sempre foi transmitido pelas famílias de forma oral, herança da cultura cigana. A documentação escrita é relativamente recente e por isso não há como afirmarmos categoricamente sobre a ordem de surgimento destes elementos.

Considera-se, hoje, que o cante flamenco foi a primeira manifestação dessa arte a surgir com toda a força da marginalização e da resistência às perseguições sofridas. Forte e gutural, como herança dos lamentos e orações cantadas dos árabes, das canções desesperadas e hipnóticas dos mouros e das queixas dos ciganos encarcerados ou foragidos.

En la puerta del cante, en el ayeo, la voz es sólo expresión pura, y suena igual que el viento entre los árboles. No ha empezado la copla todavía, pues la puerta del cante no se compone de palabras; está compuesta de sonidos, y estos sonidos no relatan nada: tiemblan; no dicen nada: cantan (...) Al escucharlos se nos desloca la carne en el cuerpo, como si el pensamiento y la atención hubiesen hecho en nosotros un movimiento brusco. En el ayeo se oye la voz de una manera distinta y principal (...) se encuentra en la antesala del día de la creación igual que se el lenguaje aún no existiera. Esta entrada del cante es su momento de más profunda y lírica intensidad. El ayeo es cante puro. (Luis Rosales)


Arcángel, cantaor, Tonás

Um músico poderia propor considerarmos o toque de uma maneira ampla, inclusive, admitindo qualquer acompanhamento percussivo. Assim, o martelo que busca ajeitar insistentemente a fibra metálica na bigorna dando cadência a um cante por Martinetes ou o som matizado de pés e palmas, dando compás a outros cantes poderiam ser argumentos interessantes que colocariam em xeque a minha suposição de que o baile teria surgido na seqüência do cante.

La guitarra,
hace llorar a los suenos.
El sollozo del as almas
perdidas,
se escapa por su boca
redonda.
Y como la tarantula
teje una gran estrella
para cazar suspiros,
que flotan en su negro
aljibe de madera.
(Frederico Garcia Lorca)



Vicente Amigo, guitarrista


Mas quero propor outro caminho. Que não é propriamente inverso porque é, justamente, por estarem no mesmo sentido que conseguimos fazer uma amarração, uma trança resisente o bastante (ao tempo e ao preconceito) com cante, toque e baile.

Dança é linguagem. Antes de polir pedras e construir abrigos o homem já se movimentava ritmicamente para se aquecer e para se comunicar. Por instinto.

Como arte a dança segue a via de expressão dos signos de movimento (com ou sem ligação musical). É a única das artes que dispensa materiais e ferramentas. É dependente apenas do corpo e da vitalidade do homem para cumprir sua função de expressão de sentimentos e vivências subjetivas.

No Flamenco prefiro acreditar, exatamente por isso, que o baile tenha surgido antes do toque de guitarra (que tem registros de incorporação ao Flamenco já no século XIX)... Não é raro presenciar manifestações repletas de aire executadas naturalmente por artistas flamencos que simplesmente braceam enquanto cantam... Não deveria ser diferente nos tempos mais remotos do Flamenco. Se pensarmos no baile, levando em consideração essa carga notável de inspiração nos movimentos que adornam o cante, expressando sentimentos, ainda que maneira rudimentar, também podemos pensar em considerar seu surgimento numa fase anterior ao toque da guitarra.

É claro que essa afirmação pode parecer tendenciosa aos olhos do leitor, afinal, sou bailarina e não musicista. Mas logicamente não estou levando em consideração o baile como conhecemos nos dias atuais. A minha linha de raciocínio está pautada no corpo e, através dele, na manifestação de suas experiências.

Baile, baile.
El baile es un sufrir,
Es alegría y es pena,
Es templez y temperamento,
Se lleva dentro,
Es leal y traicionero,
Emite sonidos claros
Y emite sonidos negros.
Porque el baile es un genio
Y los genios andan sueltos.
(Anônimo)


Manuela Carrasco, bailaora, Soleá por Bulerías

Vamos conversar sobre isso?

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.