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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Sevilha e as letras do Flamenco

Por Paula Andrade
em abril, 2008


A cidade de Sevilha

Plaza de España

A capital da província de Andalucía, Sevilla, possui aproximadamente 700.000 habitantes, e é caracterizada por muitos como o berço do Flamenco. As origens da cidade, datada de mais de dois mil anos, coincidem com a expansão do Império Romano, que conquistou quase toda a península européia. O Império Romano do ocidente desaparece no século V, mas remanescentes do período ainda podem ser encontrados em toda a Espanha, inclusive em Sevilha, como o seu aqueduto ou a ponte romana.

Catedral e Alcázar

Sevilha possui um papel fundamental na história da Espanha, e uma longa história própria de admiração e terror marcada por guerras, inquisição e disputas territoriais. Em 712 a cidade foi conquistada pelos mouros (árabes provenientes da África) que ocuparam a província durante 400 anos até serem definitivamente expulsos. Sua contribuição para o flamenco foi fundamental.

Sevilha e as letras do Flamenco

Sevilla tiene una cosa que solo tiene Sevilla,
luna, sol, flor y mantilla, una risa y una pena
y la Virgen Macarena que también es de Sevilla.

Que también es de Sevilla, aromas de clavellinas,
La giralda y sus campanas,
la Esperanza de Triana que también es de Sevilla.

Que también es de Sevilla y Sevilla por tener,
tiene la gloria en sus manos,
a Jesús del gran poder que también es sevillano.


Torre del Oro

Sevilha pode até não ser o lugar onde o Flamenco nasceu, mas sem dúvida aportou as maiores e mais importantes contribuições para o amadurecimento dessa arte: grandes cantaores, bailaores e tocaores surgiram ali. Isso, somado à história, à cultura e à beleza da cidade, faz com que Sevilha tenha sido e ainda seja objeto de inspiração para as mais diversas artes, e homenageada com freqüência nas letras de canções flamencas.



Plaza de Toros

Alguns símbolos sevillanos recorrentes nas letras do Flamenco

Barrio de Triana - La república independiente:


Barrio de Triana

me gusta su madrugada
cuanto te quiero Sevilla
yo me muero por Sevilla
pero mi vida es Triana.

Algo tiene el río que divide no solamente a la ciudad, sino a sus gentes. Cuando los trianeros han de cruzar el puente dicen: voy a Sevilla... (Antonio Burgos)

Reza a lenda que Sevilha um dia se olhou no rio, e no reflexo viu esse sonho chamado Triana. Tudo o que falta à Sevilha, Triana tem. O eterno bairro cigano, separado do resto da cidade pelo rio Guadalquivir, é, no entanto, muito mais que um simples bairro. É um mundo, ou, como os próprios trianeros dizem, uma república independente.

É verdade que, antigamente, os ciganos viviam em Triana, mas atualmente vivem em outros bairros da cidade. Triana manteve, entretanto, sua identidade. Ainda hoje é o rio, a influência do rio, as formas de vida do rio.

Sinônimo de aire, Triana não é o vento, não é a brisa, não é o ar – é outra coisa. Em Sevilha homenageou-se essa atmosfera mágica, esse espírito inexplicável, dando o nome de “Aire” a uma de suas ruas (Calle del Aire). Em Triana nunca precisaram.

Cuando no van a Triana es como si les faltara algo.
Cuando dejan Triana les falta el aire.


Puente de Isabel II (Puente de Triana):


Puente de Triana

Triana, Triana
Que bonita está Triana
Cuando le ponen al puente
Las banderitas gitanas...


É a mais famosa ponte de Sevilha, que conecta a cidade ao bairro de Triana. Desenhada por Eiffel, a ponte pode muito bem pertencer a Sevilha, mas foi Triana quem se apropriou dela como símbolo e síntese de uma vontade de ser terra de fronteira, afirmando com isso a sua identidade.


Puente de Triana

Rio Guadalquivir:


Rio Guadalquivir

Quien se pudiera dormir
besando las dos orillas
como el río Guadalquivir
besa Triana y Sevilla.

Único rio navegável da Espanha. Costumam dizer que em Sevilha há um espelho que se chama Guadalquivir. Nesse espelho, Triana se olha desde uma margem e Sevilla da outra, ambas procurando os seus respectivos reflexos.

me cuenta mi río que no se divierte
si no ve a la luna mirarlo de frente
si no se reparte entre sus orillas
media pa Sevilla media pa Triana.


Catedral e Giralda:



Catedral e Giralda

Vivir en Sevilla es querer vivir
en cualquier orilla del Guadalquivir.
sentirse alfarero junto a Santa Ana,
sentirse torero junto a la Giralda.


A catedral foi construída durante o século XV, e ainda hoje é uma das maiores do mundo do estilo gótico. La Giralda, a torre onde fica o sino, é cartão postal da cidade, e já foi a mais alta torre do mundo. Em frente à catedral se encontra o Alcázar, palácio mouro que começou a ser construído no século II.



Plaza del Triunfo - Catedral e Giralda

Paula Andrade, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

2 comentários:

Sarah disse...

fotos lindas :)
ole! Beijos!

Anônimo disse...

Que riqueza!!!
Lindas fotos.
Vc tem a letra de "Esperaré" de Carmen de la Jara?

Besos Flamencos ...

Cibele

bela-ballerina@hotmail.com