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terça-feira, 15 de abril de 2008

SoLEá


Los ojos de mi morena
se parecen a mis males:
negros como mis fatigas,
grandes como mis pesares.


Etimologia da palavra:

São várias as opiniões mas a nenhuma delas é conferida certeza absoluta. Alguns dizem que é uma deformação idiomática da palavra soledad que procede de sol-, solear- ou do latim solor, cujo significado é “aliviar o trabalho com o canto”. De qualquer maneira, podemos considerar a Soleá como o equilíbrio perfeito do cante pois guarda, na sua estrutura musical, grande parte dos elementos que regem a estética musical andaluza.

É um cante primitivo, rítmico por excelência, com compás misto (ou de amálgama) de 12 tempos, considerado uma das bases do cante flamenco. Deste palo derivam-se a Bulería, a Bulería por Soleá, o Polo, a Caña, as Cantiñas, o Romance, a Alboreá e os Jaleos. Por tratar-se de um dos pilares do cante flamenco, é um cante autônomo, ou seja, independente de qualquer outra espécie. Acreditam ser um cante de origem cigana cultivado na intimidade dos lares ciganos da Baixa Andalucia, muito tempo antes de sua primeira aparição, que teria ocorrido em Triana por volta de 1840. As letras de suas coplas respodem a uma temática muito ampla destacando alusões à vida, ao amor e à morte.

Diferencia-se de outros palos pela solenidade na interpretação: o sentimento está sempre em primeiro plano. É o baile em que as marcajes, as figuras e os paseíllos tornam-se mais comuns. É majestoso, rico e profundo, por excelência e se adapta bem às bailaoras devido aos movimentos tipicamente femininos como braceos, ondulações de quadril e cintura.

Alguns flamencólogos acham deplorável o excesso de taconeos na Soleá, apesar de que a escobilla (um dos elementos estruturais da Soleá) consiste num aumento, progressivo da velocidade e complexidade do sapateado na parte central do baile.

Glossário:

  1. Cante: Conjunto de composições musicais em diferentes estilos que surgiram entre o último terço do séc. XVIII e a primeira metade do séc.XIX, devido a justaposição de modos musicais e foclóricos existentes na Andalucia.
  2. Compás: Medida de uma frase musical com sua acentuação correspondente.
  3. Palo: Nome que recebe cada estilo de cante.
  4. Bulería: Cante e baile flamencos de compasso misto e ritmo vivo.
  5. Polo: Cante muito antigo de origem incerta, possivelmente tomado de uma canção para baile praticada na Andalucia no início do século XVIII que apresenta, musicalmente, certa afinidade com a Caña.
  6. Caña: Cante flamenco muito antigo, também de origem incerta. Possivelmente originou-se do estribilho de uma de suas letras primitivas, quando ainda era canção popular em que era citado repetidamente este vocábulo ou talez, do costume antigo de honrar com o cante a garrafa de vinho, que na Andalucia é conhecida como caña.
  7. Cantiñas: Cantes próprios de Cádiz, de compasso misto, entre os quais se destacam: Alegrias, Caracoles, Romeras, Mirabrás e Cantiñas propriamente ditas.
  8. Romance: Cante flamenco comumente chamado de "corrido" ou "corrida" que originou-se de uma entonação especial dos romances populares andaluzes. Tradicionalmente, é interpretado sem acompanhamento, e por isso é considerado por muitos o estilo mais primitivo do flamenco, de onde procederam as Tonás. Existe uma variante dos Romances, criada por Antonio Mairena, que leva o compás de Soleá por Bulerías.
  9. Alboreá: Cante pertencente ao grupo daqueles influenciados pela Soleá comum nos rituais de casamento gitanos. Suas letras mais divulgadas fazem referência à virgindade da noiva.
  10. Jaleos: Chamamos jaleo todo estilo festero acompanhado por palmas e vozes de animação dos jaleadores. De maneira simplória, é a Bulería que se pratica em Extremadura.
  11. Andalucia: Compreende a região sul da Espanha. É uma comunidade autônoma formada pelas províncias de Almería, Cádiz, Córdoba, Granada, Huelva, Jaén, Málaga e Sevilla com capital nesta última. A Andalucia é o berço do Flamenco.
  12. Triana: Importante bairro de Sevilla (maior cidade da Andalucía).
  13. Copla: Forma poética tradicional do cante flamenco. (1) Canção popular. (2) Estrofe geralmente de quatro versos octossílabos com rima assonante nos pares.
  14. Bailaor(a): Artista que baila Flamenco.
  15. Braceo: Movimentos no baile, executados com os braços.
  16. Escobilla: É o solo de piés do bailaor. Como para o cante existem os "ayeos" e para o toque existem as "falsetas", o(a) bailaor(a) demonstra sua técnica na escobilla.
  17. Baile: É a dança propriamente dita. Apresenta um caráter vivo e encontra-se em constante evolução, mas suas características básicas cristalizaram-se entre 1869 e 1929, a chamada idade do ouro do flamenco.
Referências de vídeo:


Fosforito y Juan Habichuela


Farruco


José Mercé


Corral de la Morería

Referências na Internet:


Referências no acervo do Tirititrán:

- Audio: MATMP3002, MATMP3003.
- Leitura: MATLIV001, MATAPO001, MATAPO002.
- Vídeo: MATDVD025, MATDVD049, MATDVD054,

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

Um comentário:

Anônimo disse...

Manu, adorei, simplesmente.
Esse lugar é para quem ama o Flamenco e, principalmente, é fiel a ele. Parabéns.Cecília