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domingo, 6 de abril de 2008

TieNTos

Le pedí sombra a una fuente
y agua le pedí a un olivo;
me ha puesto a mí tu querer
que yo no sé lo que digo.

Etimologia da palavra:

Tientos é uma palavra que origina do latim templar e está ligado à idéia de tentar, pulsar, examinar, ver a reação, provar ou provocar alguém.

Os Tientos constituem uma versão lenta do cante por Tangos e podem ser considerados conseqüência de sua evolução.

Dessa maneira, adota o mesmo compás dos Tangos, embora seja mais lento e solene. Seus tercios são cantados de maneira “alargada”, pois, trata-se de um cante para exibição de faculdades vocais (como a Soleá e a Siguiriya).

Como ocorre com outros cantes, a origem dos Tientos é nebulosa e, por isso, e repleta de versões. É um cante de aparição relativamente recente com origem datada do final do século XIX ao início do século XX. Teve berço provável em Cádiz, onde era conhecido, primeiramente como Tiento-Tango. Sua configuração atual deve-se a Enrique el Mellizo e a Antonio Chacón (considerado o grande propagador do estilo). No entanto, ao contrário dos Tangos, o cante por Tientos evoluiu pouco desde sua criação.

As letras dos Tientos trazem, sempre uma carga dramática e solene, eminentemente lírica, em suas interpretações, ao contrário das letras dos Tangos que admitem qualquer estado de ânimo. O baile é, da mesma maneira, grandilocuente, majestoso, sóbrio e de uma grande matização dramática.

Atualmente, Tientos e Tangos caminham juntos nos recitais. O cante é iniciado por Tientos e, posteriormente, com a acelaração do ritmo acontece o câmbio para Tangos. Das letras sentimentais e comoventes dos Tientos passa-se às letras risonhas e festeiras dos Tangos. De certa maneira, devido ao abuso desta união, os Tientos têm perdido, hoje, parte das suas características principais: riqueza melódica e conteúdo, em contraposição à explosão alegre e festeira dos Tangos.

Glossário:
  1. Cante: Conjunto de composições musicais em diferentes estilos que surgiram entre o último terço do séc. XVIII e a primeira metade do séc.XIX, devido a justaposição de modos musicais e foclóricos existentes na Andaluzia.
  2. Tangos: Cante e baile flamencos de compasso de 4/4, rítmico e alegre.
  3. Compás: Medida de uma frase musical com sua acentuação correspondente.
  4. Tercio: Cada um dos versos que compõem uma copla flamenca.
  5. Soleá: Cante e baile flamencos de compasso misto que possui muitas variantes.
  6. Siguiriya: Cante e baile flamencos de compasso misto, com conteúdo trágico e/ou triste, que a princípios levava o nome de Playera.
  7. Cádiz: Província espanhola da Comunidade Autônoma de Andalucía. Possui 44 municípios e a sua capital é a cidade de Cádiz. Outras cidades de importância na Província são: Jerez de la Frontera (a maior da província) e Algeciras (terceira em número de habitantes).
  8. Baile: É a dança propriamente dita. Apresenta um caráter vivo e encontra-se em constante evolução, mas suas características básicas cristalizaram-se entre 1869 e 1929, a chamada idade do ouro do flamenco.

Referências de vídeo:


La Tobala, Tientos y Tangos


Manuela Rios, bailaora, por Tientos

Referências na internet:

- Flamenco World (Tientos)
- Horizonte Flamenco (Tangos y Tientos - I)
- Horizonte Flamenco (Tangos y Tientos - II)
- Triste y Azul (Tientos)

Referências no acervo do Tirititrán:

- Audio: MATMP3003.
- Leitura: MATLIV001, MATAPO001, MATAPO002.
- Vídeo: MATDVD002, MATDVD004, MATDVD023.

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

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