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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Granada e as letras do Flamenco

Através do Flamenco – Cante, Baile e Toque – não só se reconhece e identifica a região de Andalucía no mundo, mas também o “espírito geral” do povo andaluz.


Granada é uma cidade e um município espanhol, capital da província homônima, situado na comunidade autônoma de Andalucía.

(Catedral Renascentista)

“Andalucía es mi tierra
el sur me ha visto nacer

Granada me dio la vida
y entre palmas y alegrías
y el sacromonte con sus gitanos
La Alhambra con su poder.

Si Granada no existiera
la tendrían que inventar
fue la musa de pintores,
de poetas y escritores,
y de bohemios enamoraos

Granada bronce y pasión”
[Tati Román – Granada, bronce y pasión]


Granada é, para o Flamenco, uma terra conservadora, imaginativa e criadora de formas flamencas que se remontam a época Nasrida (última dinastia mulçumana na Península Ibérica, responsável pela construção da Alhambra). Esse conceito que a cidade tem hoje no flamenco foi consolidado pelos ciganos do bairro Sacromonte, que foram, não se sabe exatamente quando, os primeiros a comercializar seus cantes e bailes.


“ Granada, tierra soñada por mí
mi cantar se vuelve gitano
cuando es para ti...”

Convém dizer que, a pesar de se poder experimentar a essência do flamenco em toda a província, é em sua capital onde o cante jondo é mais sentido. Não é à toa que os bairros de Sacromonte e Albaicín se posicionam como autênticas “Mecas” onde convém peregrinar para se impregnar de artes tão veneradas como a Roa e a Zambra.

(Igreja de Santa Ana)

“Graná tiene un rastrillo
En la iglesia de Santa Ana
Donde van los flamenquitos
A mirar por la mañana”

O flamenco sempre foi identificado como uma arte de “pueblo”, do povo, do interior. Por essa razão, alguns ilustres autores, ao notar que o flamenco se afastava do vulgar e parecia se comercializar, se preocuparam em resgatar a essência dessa arte. Grandes figuras da cultura, encabeçadas pelo poeta e dramaturgo granadino Frederico García Lorca e o compositor Manuel de Falla organizaram o primeiro concurso de cante flamenco, celebrado em Granada em 1922. Para participar, era imprescindível que os concursantes fossem desconhecidos, pessoas que nunca haviam pisado em um Café Cantante.

Esse concurso marcou o início do que se tornaria o flamenco, e ocorreu precisamente em Granada, uma província que tem papel determinante na história do cante grande. A cidade é uma das principais referências do flamenco na Espanha, sendo o bairro de Sacromonte um dos seus pilares.

Barrio de Sacromonte:


Esse bairro cigano é o epicentro do que os experts chamam “jondura” e “el duende”, onde se originou a zambra, uma festa de cante e baile flamenco que se remonta ao século XVI e, em concreto, aos rituais de núpcias dos mouros da cidade.

O Sacromonte, tradicional bairro dos ciganos granadinos, esconde todo o duende do flamenco andaluz, uma arte que em Granada possui um encanto especial. À zambra, metade moura, metade cigana, deve-se somar as inúmeras peñas flamencas e tablaos existentes. Assim, não é difícil para o visitante desfrutar de um magnífico espetáculo de flamenco.

A imagen do Sacromente é, talvez, a mais genuína do flamenco: cuevas repletas de pessoas admirando a arte do baile. A poucos metros dessas cuevas, se encontra o Auditório Municipal de La Chumbera, que além de contar com o Centro Internacional de Estudos Ciganos, serve de cenário para o Patrimônio Flamenco (ciclo de recitais que se celebra durante todo o ano, com o marco incomparável da Alhambra como pano de fundo).

Albaicín:

“La niña del Albaicín
subió una tarde a la Alhambra
y allí le cogió la noche
llena de luna y de albahaca”

(Albaicín visto desde a Alhambra)


Por outro lado, o bairro de Albaicín oferece outra cara do Flamenco. Nele, imperam “peñas flamencas”, entre elas a pioneira do país, a “La Platería”. Nessas peñas, é possível desfrutar assiduamente de recitais flamencos. No Albaicín, além disso, muitos artistas reconhecidos como Enrique Morente, Juan Carmona ou a família Montoya se reúnem em tabernas, como por exemplo a de Jaime el Parrón. Nesse bairro também se celebra o Festival de Flamenco del Albaicín.

Alhambra:

“A donde yo te conocí.
Sé que se llama la Alhambra.
A donde yo te conocí
Y si a mi alcance estuviera,
Allí me iría a vivir
Contigo de compañera”


(Jardins do Generalife)


“Alhambra” (em árabe Al Hambra, que significa A Vermelha) não é apenas o espaço que abarca este maravilhoso, sublime e artístico complexo palaciano, um dos monumentos mais conhecidos do mundo, declarado “Patrimônio da Humanidade” pela UNESCO em 1984. Seu nome evoca os mais variados aspectos da cultura granadina, fortaleza do sultanato islâmico de al-Andalus, a dinastia Nasrida (1238-1492) e a corte do Reino de Granada, e emblemática colina rodeada das mais felizes e imaginativas histórias e lendas. Da Alhambra escreveu Alejandro Dumas: “Hizo Dios a la Alhambra y a Granada, por si le cansa algún día su morada” (Deus fez a Alhambra e Granada, caso se canse algum dia de sua moradia).

Esse belíssimo recinto, gloria e honra do poder Nasrida na Espanha, se converte, ao decorrer do tempo, em inesgotável fonte de inspiração para poetas, músicos, pintores e todo artista que vê na Alhambra o monumento mais representativo da arte mulçumana. E tanto é assim, que hoje se fala de “Alhambrismo musical”, ou seja, todas as composições inspiradas na Alhambra, realizadas por compositores internacionais.

“y fueron mis mayores
la alhambra y el abasi
mi arte y mis amores
entre el darro y el genil
se oyen los lamento de guadix
Mañana sin ti
pa que quiero la primavera
si ya no te tengo a ti”

Rio Darro:

O rio Darro é um rio que percorre a província de Granada, afluente do rio Genil, que por sua vez deságua no rio Guadalquivir (ver post “Sevilla e as letras do Flamenco”).

Guadix:

Guadix é um município da Espanha na província de Granada. Mas o patrimônio mais curioso da cidade de Gadix é o bairro troglodita. As suas casas são cuevas (covas ou cavernas), escavadas nos montes argilosos, com por vezes apenas a entrada e as chaminés por cima da terra. As cuevas de Guadix são uma criação posterior à época árabe-muçulmana: suas origens se remontam à tomada de Granada, em 1492, pelos Reis Católicos.


LLORANDO POR GRANADA (LA VOZ DE MI SILENCIO)

Dicen que es verdad
que se oye hablar
en las noches cuando hay luna en las murallas.
Alguien habla.

Nadie quiere ir
en la oscuridad
todos dicen que de noche está la Alhambra
embrujada.
Por el moro de Granada.

Dicen que es verdad
que su alma está
encantada por perder un día Granada
y que lloraba.

Cuando el sol se va
se le escucha hablar
paseando su amargura por la Alhambra
recordando y llorando por Granada.

Dicen que es verdad
que nunca se fue
condenado está a vivir siempre
en la Alhambra
y a llorarla.

Al aterdecer
cuentan que se ve
entre sombras la figura
de aquel moro
hechizada.
Por perder un día Granada.




Flamenco em Granada

Artistas granadinos:
  • Enrique Morente (cante)
  • Estrella Morente (cante)
  • Eva la Yerbabuena (baile)
  • Frederico García Lorca (poeta)
Glossário

  1. Cante grande: Expressão subjetiva de denomina os estilos mais solenes do cante. Cante exímio, bem interpretado.
  2. Cante jondo: Inclui os estilos com ressonâncias arcaicas. São cantes mais solenes e de grande força expressiva, primitivos, com base em sentimentos transcendentais e profundos.
  3. Duende: Encanto misterioso e inefável do cante. É uma expressão poética que dá nome à magia intrínseca do flamenco, um estado sublime de inspiração, quase um êxtase, um transe, que se apresenta de forma inesperada, sem justificação aparente e que não tem duração fixa. Para os flamencos, é um estado de exaltação que se manifesta nos seus intérpretes. É um sentimento que se observa, sobretudo nos palos por fiesta.
  4. Peñas flamencas: são uma maneira recomendável para experimentar uma sessão de cante grande. No bairro Albaicín são encontradas algumas das mais representativas da capital granadina. Geralmente as peñas são formadas por um grupo de amigos que se reúnem para compartilhar sua grande paixão: o cante jondo. Nas peñas se conversa, se canta e se vive o flamenco. Também se celebram atuações e recitais. Granada tem a honra de contar com a pena flamenca mais antiga do país, a de “La Platería”.
  5. Tablao: é um bar em que se oferece espetáculos de flamenco ao vivo. Começaram a surgir na década de 60 por toda Andalucía, substituindo os antigos Cafés Cantantes. Seu nome faz referência às taboas de madeira que compõem esses locais.
  6. Zambra: é ambos o local onde acontecem os espetáculos flamencos do Sacromonte e um palo flamenco.
Fontes:
  • http://www.folcloreyflamenco.com/index.php/Antropologia/La-Cultura-Andaluza-en-el-Flamenco.html
  • http://www.turgranada.es/flamenco/flamencodetalle.php?id_seccion=53
  • http://www.folcloreyflamenco.com/index.php/CULTURA-FLAMENCA/La-Alhambra-en-el-flamenco.html
Fotos:
  • Paula Andrade e Javier Yuste

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

TPF 2: Asi Lo Siento. Ensayo Abierto de Flamenco.


Os convites para o Festival serão vendidos a partir do dia 1º de novembro.
Outras informações podem ser obtidas através do e-mail: tirititran@terra.com.br

TPF 1: AmiGo SeCReTo TiRiTiTRaN



Queridos Alunos do Estúdio,

Faremos um 'Amigo Secreto' diferente este ano! Para evitar a confusão de ter que marcar um dia em que todo mundo possa se encontrar para o sorteio, vamos utilizar o site http://www.amigosecreto.com.br/ para gerenciar a nossa brincadeira!

O valor do 'Amigo Secreto', que gira entre R$5,00 e R$10,00, foi estipulado para que todos possam participar sem grande dificuldade. O intuito é promover o encontro entre pessoas que compartilham de uma mesma paixão (o Flamenco) numa confraternização em que a troca de presentes servirá para celebrar os novos laços.

Avaliem, com carinho, as sugestões de presente dadas no site por cada 'amigo' participante do sorteio. Mas o que valerá mesmo como diferencial é a criatividade para 'montar' um presente super interessante com um valor tão baixinho!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

LaS CaSTañUeLAs

Texto de Pia Villar
Tradução: Manu Ángel

As castanholas (castañuelas ou palillos) são consideradas instrumento nacional do folclore espanhol, apesar de ter sua origem atribuída aos fenícios, por volta dos anos 1000 a.C. Seu nome teria derivado-se do latin castanea, ou seja, castaña e, posteriormente, sofrido derivações até chegar no nome atual: castañuela.

Consistem em pedaços de madeira (geralmente castaño) que se entrelaçam com uma corda e que, de acordo com seu som, são colocados na mão direita e esquerda. Um par de castanholas é formado dois "jogos". Um deles é chamado "macho". O outro jogo é chamado "fêmea", sendo que a "fêmea" possui tonalidade mais alta e, geralmente, é tocada com a mão direita.

No princípio, eram presas em 4 dedos enquanto eram agitadas com os punhos. Posteriormente descobriu-se que com o dedo médio, conseguia-se tirar delas um melhor som. Finalmente, no século XVIII passou-se a utilizar o dedo polegar para prendê-las pois essa era a forma considerada mais elegante para o toque. Dessa maneira, as castanholas foram introduzidas na sociedade mais refinada da época para acompanhar seguidillas e boleros em festas sociais.

A maneira como acondicionamos nossas castanholas influenciam diretamente no som que elas emitem. Para que alcancem o som ideal devemos tocá-las por muitas horas e sempre guardá-las em uma capa especial para protege-las da umidade e de temperaturas muito altas.

Geralmente, as castanholas são utilizadas nos bailes regionais folclóricos (onde o dedo médio ainda se mantém como o mais usual), na escola clássica espanhola e também para acompanhar algumas óperas como, por exemplo, Carmen (entre outras). Algumas vezes encontramos as castanholas em Tunas e Estudantinas (grupos musicais organizados principalmente por estudantes). Existem alguns concertistas de castanholas que trabalham com orquestras importantes, aportando o caráter típico espanhol com este som peculiar. Alguns concertistas de castanhola de grande destaque foram: Antônia Mercé (La Argentina), Lucero Tena, Carmen de Vicente e José de Udaeta.

Na Andalucía, as castanholas são presas, usualmente, no dedo polegar e sua utilização é mais comum nos acompanhamentos de Sevillanas e Fandangos. Em menor escala são utilizadas nas Siguiriyas por ser o estilo que mais facilmente se acomoda ao som deste instrumento.

Em Oviedo (capital das Asturias) existe um museu arqueológico onde estão expostos diversos tipos de castanholas, alguns deles realmente espantosos. Na atualidade, as castanholas podem ser confeccionadas com materiais diferentes da madeira como a tela prensada ou a fibra de vidro, que garantem a durabilidade sem perda de qualidade.

Referências de Vídeo:


Método de Manuel Salado para aprender o
toque de castanholas (Sevillanas)


Castañuelas: Graciela Rios Saiz, Guitarra: Manolo Ygles


Pilar López, Siguiriya com castanholas.

Referências na Internet:

- Historia de la Castañuela
- Esbozo para una historia de las castañuelas
- Sobre Escola Bolera

domingo, 5 de outubro de 2008

eL LeNGuaJe deL aBaNiCo

El abanico, además de convertirse en un elemento indispensable en la indumentaria de una época, se constituye en un instrumento de comunicación ideal en un momento en el que la libertad de expresión de las mujeres estaba totalmente restringida.

Cuando las damas del siglo XIX y principios del XX iban a los bailes eran acompañadas por su madre o por una señorita de compañía, con el fin de que éstas velasen por su comportamiento. Las señoritas de compañía eran muy celosas en el desempeño de la labor que se les encomendaba por lo que las jóvenes tuvieron que inventarse un medio para poder comunicarse con sus pretendientes y pasar desapercibidas.

Este objeto se convirtió en un auténtico parapeto de todo un repertorio que iba desde las sonrisas ingenuas, hasta auténticas declaraciones de enamorados .

Existían diferentes lenguajes del abanico pero todos ellos utilizaban como regla común la colocación del objeto en cuatro direcciones con cinco posiciones distintas en cada una de las cuatro. Con ese sistema se iban representando las letras del alfabeto.

Pero además de esa regla general, había ciertos gestos con significado ya conocido por todo el mundo, como pueden ser:

  1. Sostener el abanico con la mano derecha delante del rostro: sígame.
  2. Sostenerlo con la mano izquierda delante del rostro: busco conocimiento.
  3. Mantenerlo en la oreja izquierda: quiero que me dejes en paz.
  4. Dejarlo deslizar sobre la frente: has cambiado.
  5. Moverlo con la mano izquierda: nos observan.
  6. Cambiarlo a la mano derecha: eres un osado.
  7. Arrojarlo con la mano: te odio.
  8. Moverlo con la mano derecha: quiero a otro.
  9. Dejarlo deslizar sobre la mejilla: te quiero.
  10. Presentarlo cerrado: ¿me quieres?
  11. Dejarlo deslizar sobre los ojos: vete, por favor.
  12. Tocar con el dedo el borde: quiero hablar contigo.
  13. Apoyarlo sobre la mejilla derecha: sí.
  14. Apoyarlo sobre la mejilla izquierda: no.
  15. Abrirlo y cerrarlo: eres cruel.
  16. Dejarlo colgando: seguiremos siendo amigos.
  17. Abanicarse despacio: estoy casada.
  18. Abanicarse deprisa: estoy prometida.
  19. Apoyar el abanico en los labios: bésame.
  20. Abrirlo despacio: espérame.
  21. Abrirlo con la mano izquierda: ven y habla conmigo.
  22. Golpearlo, cerrado, sobre la mano izquierda: escríbeme.
  23. Semicerrarlo en la derecha y sobre la izquierda: no puedo.
  24. Abierto, tapando la boca: estoy sola

(fonte: http://www.todoabanicos.com/)

PaRTeS deL aBaNiCo


Conozca los nombres de las diferentes partes de un abanico.

  1. Pais (tela del abanico).
  2. Rivete.
  3. Fuente.
  4. Varilla. (El conjunto de todas las varillas forma el "varillaje").
  5. Fuente. (Primer tramo de la varilla).
  6. Guía. (Segundo tramo de la varilla, sobre el cual va pegado el pais).
  7. Guarda (o cabera). Nombre que reciben la primera y última varilla del varillaje.
  8. Boleta.
  9. Ojo.
  10. Guardapulgar.

eL aBaNiCo, uN LeNGuaJe cOn oTRo AiRe

Ángela C. González Varona

Contemporáneo, de doble cara, con encajes, de bambú o de marfil… el abanico se ha utilizado y se utiliza como instrumento refrescante, muy útil en los días calurosos. Aunque muchos no lo crean, el abanico sigue estando de moda.

Su origen es incierto, en tiempos de griegos y romanos hay escritos donde queda reflejada su existencia, y en China su existencia era también milenaria. En España existen fragmentos de cerámica ibérica procedentes de Liria (Valencia) donde se observa una figura femenina abanicándose. Pero es en el siglo XIV donde encontramos las primeras referencias al abanico, en la Crónica de Pedro IV de Aragón. Dos siglos después, a mediados del siglo XVI, se introduce el abanico plegable, y con él la creación artesana florece, surgiendo la Real Fábrica de Abanicos en Valencia, que permitió que se abaratase el producto. Más adelante, la artesanía abaniquera se enriquecerá con reproducciones de escenas románticas, taurinas y costumbres valencianas.

El abanico, además de constituir un elemento indispensable de la indumentaria del siglo XVII, se convierte en auténtico instrumento de comunicación en una época en la que las mujeres tenían muy limitada su libertad de expresión.

Cuando las damas del siglo XIX y principios del XX iban a los bailes, eran acompañadas por su madre o por señoritas de compañía, que velaban por su comportamiento y eran muy estrictas en el desempeño de su labor, por lo que las jóvenes tuvieron que inventar un medio discreto para poder comunicarse con sus pretendientes.
Su arte es muy característico y dentro de lo que se ha denominado “el lenguaje del abanico“, cada movimiento tiene un significado muy concreto. Este lenguaje, desconocido para muchos, respondió a una necesidad de las mujeres de comunicarse con sus enamorados que, sin duda, dominaban perfectamente este código secreto.

Totalmente perdido en nuestros tiempos como medio de comunicación, el rico lenguaje del abanico tuvo un importante papel en la relaciones humanas y más concretamente en el flirteo entre mujeres y hombres. Aunque dentro de este lenguaje había diferentes modalidades, la regla común era la colocación del abanico en cuatro direcciones, con cinco posiciones distintas en cada una de ellas. Con este sistema se iban representando las letras del alfabeto.

Igualmente, dependiendo del gesto que se realizara con el abanico, el significado cambiaba radicalmente. Así, sostener el abanico con la mano derecha delante del rostro quería decir “sígame”; moverlo con la mano izquierda, “nos observan”; cambiarlo a la mano derecha, “eres un osado”; dejarlo deslizar sobre la mejilla “te quiero”; abanicarse despacio, “estoy casada”; abanicarse deprisa, “estoy prometida”, o apoyar el abanico en los labios “bésame con pasión”. Son unos pocos ejemplos de todo lo que se podía expresar con el abanico.

Es una costumbre que en un tiempo fue precisa para el propio desahogo de la mujer y que hoy ha perdido todo su sentido, lenguaje peculiar que ha desaparecido, cayendo en desuso : si alguien ve, hoy en día, a una señorita con su abanico tirado en el suelo, lo que en un día significó “te pertenezco”, que no se haga ilusiones, porque simplemente su dueña habrá tropezado y se le habrá caído al suelo.

La SeÑoRiTa DeL aBaNiCo

Frederico Garcia Lorca

La señorita del abanico
va por el puente del fresco río.
Los caballeros con su levita
miran el puente sin barandillas.

La señorita del abanico
y los volantes busca marido.
Los caballeros están casados,
con altas rubias de idioma blanco.

Los grillos cantan por el oeste,
la señorita va por lo verde.
Los grillos cantan bajo las flores,
los caballeros van por el norte.

La señorita del abanico
va por el puente del fresco río.

sábado, 4 de outubro de 2008

aBaNiCo CHicLaNEro


Decir abanico
es decir verano,
es decir te quiero,
y besar tus manos.

Corta el aire
tu abanico chiclanero,
corta el aire del suspiro,
cuando digo... ¡ Te quiero. !

Y me ofrece ráfagas de viento,
con olor a menta y a canela,
a tardes tranquilas,
a noches de espera.
A mesa en la puerta
con sillas de anea,
de par en par, mi casa abierta,
de par en par, mi alma en ella.

Corazón tranquilo,
giro de muñeca pausado,
corazón dolido,
pulso acelerado.

Háblame el lenguaje del amor
que tú y yo sabemos,
con la boquita cerrada,
con los ojitos de deseos.

Abanico andaluz:
bello, elegante,
confidente y paciente,
suaves caricias,
sin importarnos la gente.

Con ella por la ribera del Iro,
siempre acompañándonos.
Por la Alameda del Río,
nos sentamos, y nos besamos.

Unas veces se cierra,
otras, se abre...
Si te hablo de amor,
tu abanico, corta el aire.

A.M.D.-M.

(fonte: http://enmicolinadesueos.blogspot.com/2008/08/abanico-chiclanero.html?showComment=1218756120000)