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quarta-feira, 6 de maio de 2009

EsaS paLmAs

"Nas palmas flamencas, há mais força na sensibilidade do que no esforço físico", afirma o bailaor espanhol Torombo, e assim dá início a uma de suas aulas para um seleto grupo em Sevilha. Na aula, o cigano "filósofo-do-flamenco", ressalta a importância de se respeitar o ritmo e o compás acima de tudo. Para isso, é necessário controlar a emoção e sentir a música.

As palmas no flamenco são importante instrumento de percussão. Elas, no entanto, servem de adorno para o compasso, por isso não devem nunca sobressair ao ritmo. O domínio da técnica e a sinergia entre músicos, bailarinos e palmeros garantem o bom resultado.

São dois os tipos de palmas praticadas no flamenco: aberta e "sorda" (fechada). Para se tocar bem, é preciso posicionar corretamente as mãos e os dedos. Dessa maneira, é possível alcançar o som exato (alto e seco), com o mínimo de esforço físico. O aperfeiçoamento da técnica, porém, pode levar meses. A intenção correta (força e ritmidade), no entanto, requer anos de prática e estudo. As duas coisas são fundamentais: intenção sem técnica é prepotência; técnica sem intenção é desperdício.


Mi alma escondida

"Porém mais importante que a sua história e as suas técnicas, o flamenco é uma atitude, é a manifestação da alma de uma pessoa. Ser flamenco é colocar para fora sentimentos e emoções trancadas e compartilhá-las através da música, do cante, do baile e dos jaleos”, afirma o bailaor português Raul Morales em um artigo na web. “Os pés golpeiam o chão, alternando passos vigorosos e sutis. As palmas marcam o compasso e enchem de vida cada passo. No rosto do bailarino, a dor ou a alegria da guitarra e da voz do cantaor”, escreve Raul. Para o bailaor, ao contrário de algumas danças que privilegiam apenas adolescentes esquálidas, o flamenco pode ser praticado por qualquer um.

Torombo nos lembra, no entanto, que antes de começar a andar é preciso, primeiro, saber engatinhar - seja no baile, no toque ou no cante. O compasso e o baile, para ele, são como o vinho. "Um vinho barato, quando você bebe, dói muito a cabeça. Assim é o baile e as palmas de muitas pessoas. Isso acontece quando não se sabe esperar tempo suficiente para que o vinho seja um vinho de boa qualidade. Porque o vinho de qualidade tem que estar na bodega - no estúdio -, durante muito tempo. Quanto mais tempo, mais qualidade", afirma.

Para Torombo, dançar é como conduzir um carro. O bailarino explica que antes de se aprender a dirigir, é preciso conhecer a teoria e suas regras, assim como no flamenco. "Para 'conduzir' os sapatos - que são um mero veículo para levar o bailarino aonde ele deseja - é preciso saber as regras do baile. Os sapatos não dançam sozinhos", diz Torombo.

“Una fiesta se hace
con tres personas:
uno baila, otro canta
y el otro toca.
Ya me olvidaba
de los que dicen ‘¡Ole!’,
y tocan palmas”

Referências de vídeo:

Aula do Torombo, em que o bailaor explica a importância das palmas, e como devem ser tocadas

Morente, Habichuela, Gabarre, Kiki e Popo “jugando”

Palmas e ritmo por Mellano Compadres

Reportagem sobre o DVD de Jerónimo Utrilla, "Aprende y práctica las palmas"

Assista aos vídeos de rumba do DVD de Jerónimo Utrilla:
https://www.deflamenco.com/tiendaflamenco/veri.jsp?cod=2911

Artigo de Raul Morales:
http://cdsdr-flamenco.bloguedesporto.com/932/FLAMENCO/

Glossário:

Bailaor: bailarino flamenco
Cantaor: cantor flamenco
Cante: canto flamenco
Compás: compasso
Jaleos: gritos de ânimo e incentivo
Palmeros: músicos que tocam palma


3 comentários:

Marilyn disse...

bem legal! aqui tem um guia de palmas tb!
beijos
http://www.diarioflamenco.net/index.php?option=com_content&view=article&id=49&Itemid=82

Leonardo Mordente disse...

Muy bien! O artigo ficou ótimo e seleção de vídeos ficou bem ilustrativa! O tema escolhido é importantíssimo. Parabéns pela iniciativa! Ole y ole, Torombo! A tocar las palmas!!!

ribera_shumary disse...

eleeeeeee ..... esa familia Morente.... ese concierto lo vi yo en Alcala de Guadaira... un beso y un abraso desde Dos Hermanas, Sevilla... de MenigoXico