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domingo, 17 de junho de 2012

Toque | "TOC"

(Por DANIELA AVELAR)

Quando você entra para o flamenco - ou será que é o flamenco que entra em você? – é impossível que dois toques lhe passem impunes: o toque e o “TOC”. O primeiro é o toque do cajón, famoso instrumento percussivo, que atravessou as fronteiras peruanas para integrar-se à música flamenca. Seus timbres são exuberantes e o som ecoa dentro do peito. Encanta por conseguir juntar - com singular maestria - simplicidade e potência.


Em seguida, vem o "TOC" mesmo: Transtorno Obsessivo Compulsivo. E por lunares. Sim, aquelas bolinhas tão características dos anos 50 e usadas com muita propriedade e glamour pelas pin ups! A leveza sutil do erotismo realçada pela combinação fatal de dois ingredientes: ingenuidade e sensualidade. Dos anos 40, quem nunca ouviu "Polka Dots and Moonbeams", gravada por Sinatra? 


Nós – mulheres pertencentes ao universo flamenco – somos perseguidas por uma autêntica (e docemente justificável) compulsão pelos artigos de bola. Tem vestido, blusa, saia, camiseta... baby doll, sutiã, calcinha... As lingeries mais charmosas? As da série "lycra de bolinha com borda de rendinha". Até a peça mais blasè consegue adquirir um ar encantador quando pontuada pelo poá (do francês pois, adaptado para a língua portuguesa).
Necessaire, agenda, espelhinho, porta-absorvente e chaveirinho. Um mimo! Para os cabelos? Laços, fitas, flores, grampos, presilhas, gominhas... Quer enfeitar a casa? Xícara de café, pires, açucareiro e colherzinha... Tapete, almofada, abajour, toalha, roupa de cama... Tudo de bolinha! Com pouco dinheiro e alguma criatividade, pode-se ter acesso à uma infinidade de artigos...



Para realçar a beleza dos homens, nada como uma discreta e provocativa gravata de bolas. C’est vraiment très chic! Isso sem falar dos maravilhosos lenços de bolso e écharpes, outros dois clássicos toques da elegância masculina. Para os mais descolados, camisetas e underwears. Claro, de bolinha.


E para quem foi acometido pelo surto mas nunca parou para perguntar-se de onde vieram as tais bolinhas, fica a dica: sua origem é um grande mistério.

Historiadores espanhóis reclamam para si a paternidade. As bolas teriam surgido no início do século XIX, nos acampamentos dos gitanos andaluces. Tecidos de lunares usados para a confecção dos uniformes de trabalho, teriam como propósito homenagear a misteriosa afinidade entre eles (gitanos) e a lua.
Há quem acredite que as versáteis bolotas foram incorporadas da polca, dança alegre e descompromissada, que surgiu na região da Boêmia. Seus movimentos circulares e alegres, somados à descontração e prosperidade característicos da história americana do período pós segunda-guerra, teriam inspirado as famosas polka dots (bolinhas). E estas teriam se espalhado daí para o mundo...

Muito mais fascinante que sua origem? O fato de serem singularmente eternas.


DANIELA AVELAR é aluna do Tirititrán, amante das artes, de história, das línguas e colaboradora.

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